Por Janete Pinto Cahet
Tirá-lo da frente do computador não é tarefa fácil. O deadline para a apresentação de sua dissertação de mestrado em Modelagem Computacional com especialização em Mineração de Dados esta próximo, fato que o faz virar dias e noites ininterruptos em frente ao equipamento. Mas o Homem longe dos computadores é conhecido desde a infância por uma personalidade singular. Último filho de uma família de 10 irmãos sempre foi o que apresentou aos pais resultados concretos de uma vida bem sucedida nos estudos.
A família Farias, fruto do êxodo rural, saiu do município de Gararu, especificamente do povoado Lagoa Primeira, rumo à capital quando o filho mais novo ainda tinha 4 anos. Mário não se recorda da sua vida interiorana ao contrário de seus irmãos. “Como éramos muitos, papai nos organizava em duas equipes para irmos para a roça, no horário contrário íamos para a escola. Mamãe saía pela manhã e retornava à noite”, relembra Rita de Cássia, a irmã que assumiu o papel de auxílio maternal da família.
Mario André aos seus 31 anos é um composto de bom filho, profissional e amigo. Ele sempre esteve envolto de boas amizades e familiares, cresceu ao redor de pessoas que lhe devotavam atenção e carinho. O mesmo sofreu na juventude de um problema dermatológico que traz até hoje, a acne, situação que o faz procurar o seu dermatologista com certa regularidade. O “nerd” da turma, logo foi apelidado de chokito.
A vida para o jovem não foi tão bela quanto podia ser. Aos nove anos de uma infância agitada pelas peripécias, a professora Maria Madalena, sua mãe, foi tragicamente atropelada, no bairro onde morava, fato que lhe deixou dias internada e após uma hemorragia interna veio a falecer. Deixando os filhos, dentre eles dois menores. “A perda da minha mãe marcou a minha infância. Foi um momento muito ruim. Minhas irmãs tiveram que cuidar de mim. Em contrapartida a minha família se uniu”, relembra.
Mesmo com este marco para a vida de uma criança, em que nada parece se explicar. Ainda foi possível à memória com traumas superados, lembrar de momentos de sua infância. “Minha infância foi normal, diferente das crianças de hoje. Viajava para o interior, soltava pipa, andava a cavalo, brinquei muito”, ressalta.
A referência nos estudos veio do irmão Flávio, o ‘Pelé’, que havia estudando na antiga Escola Técnica e já fazia parte do mercado de trabalho como técnico. Contudo, Mário foi mais além. “Após o término do primeiro grau prestei uma seleção para cursar o preparatório na Escola Técnica”. Devido à boa média alcançada, o irmão mais novo, adentrou o ensino técnico, sem mesmo prestar o vestibular, pré-requisito para os alunos medianos.
A vida de estudante no segundo grau, não lhe foi suficiente. Ainda menino tinha seus objetivos de vida traçados. Já almejava trabalhar. “No meio do segundo grau comecei a trabalhar como aluno bolsista e depois fui monitor de laboratório”. Neste ínterim, surgiu a oportunidade de ingressar na universidade.
A pensão que sua mãe havia deixado lhe deu possibilidades. Sua inteligência que garantiria a entrada na Universidade Federal de Sergipe, aonde viria a estudar mais tarde, possibilitou pensar mais à frente e seguiu para a Universidade Tiradentes para cursar Análises de Sistemas. “Como meu tutor, meu pai recebia uma pensão de minha mãe, que aos meus 18 anos iria acabar. Sabendo de sua continuidade, conversei com o meu pai sobre a possibilidade de ingressar em uma universidade particular e após o seu consentimento, fiz o vestibular e ingressei na Unit”, assegurou.
A universidade foi para Mário foi à força motriz de um desenvolvimento acadêmico e profissional que tem dado frutos até os dias de hoje. Com uma vida sempre pautada pelo planejamento, logo começou a estagiar. Já formado, trabalhou em empresas contratadas como Banese e Deso, neste meio tempo, dava início a sua pós-graduação, onde após o convite de um professor foi lecionar em uma faculdade particular. Experiência que o fez perceber a sua afinidade com a academia.
Fora do ambiente acadêmico, os acontecimentos conspiravam ao seu favor, quando se inscreveu no primeiro concurso. “Por intermédio do destino prestei meu primeiro concurso. Sem muito interesse fiz a inscrição. No dia estava acompanhando um colega que ia ao shopping com este fim, como tinha esperado o tempo todo na fila com ele, de última hora decidi me inscrever”, conta.
A vida como servidor público, exercendo a atividade de Policial Civil, lhe garantiu mais tempo para se dedicar a aquilo que havia traçado para a sua vida. Ser professor efetivo do Centro Federal de Tecnologia, atualmente Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe – IFS. Desejo cultivado após a sua passagem pelo Instituto como professor substituto pelo período de quatro anos. Objetivo alcançado com muito mérito pouco tempo depois.
Quando a vida parecia estar estabelecida, este inquieto homem sempre mostra que é possível ir mais longe. No seu segundo ano de efetivação, seguiu para a cidade de Alagoas onde passou um ano estudando no mestrado. No seu retorno outros planos estavam fundamentados. Ainda nem defendeu a sua dissertação e o doutorado está definido como o outro passo a ser seguido.
“Posso dizer que todos os objetivos profissionais que tracei foram alcançados. Para tanto, tenho outros caminhos a percorrer, não quero me tornar um profissional obsoleto. É preciso estar em constante atualização”, afirmou. O doutorado já está em processo em seus planos. É sabido que é pré-requisito o domínio de uma língua estrangeira para concorrer a uma vaga e melhor recomendação dos orientadores. Sempre pensando a frente Mário Seguiu para a Nova Zelândia para intercâmbio de três meses.